29 Jan 2013

Janeiro 2009

"Nunca fora tão feliz como nestas noites. Fechava os olhos e via sua imagem. E ia conhecendo mais do seu rosto, ia conhecendo mais do seu olhar, que me via e que brilhava. Às vezes, fechava os olhos para lhe ver quando era noite. Depois, havia uma luz que começava lentamente a atravessar as pálpebras. Abria os olhos, e era já dia. Naquelas horas da manhã, sem falarmos, construíam-se certezas dentro de mim. Mesmo que ainda agora, não as saiba explicar. Mistérios proibidos. Palavras de silêncio. Palavras maiores, profundas, abismos, pareciam palavras de sol terno, e de sol suave, e de sol brando. Durante esse tempo, a beleza da fotografia que estava dentro de mim tinha se misturado com esse sentimento. Esse sentimento. Esse sentimento que era um entusiasmo a mandar em todos os meus instantes, uma febre de onde não conseguia sair. Mesmo que quisesse." 

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