29 Jan 2013

Barcos

Nossa brincadeira de fósforos, sem garantias sobre o que se inicia. Incêndio ou lareira? Nem que depois seja minha sina seguir pra sempre ímpar na vida. Quero sentir esse calor corando bochechas e despertando rios de vala submersos. Amores não são sempre amáveis, já sei. Mas o que fazer se é este o abraço que trago decorado. Se a voz que preciso ouvir é sempre a tua. Minhas palavras se repetem, eu sei. Até você já notou. Minhas idéias não mudam fácil, essa cabeça dura que carrego entre orelhas me prende nesse círculo vicioso de sim e por que diabos não. 
Quero, mas estou de partida. Querendo muito que você me alcance.

-

Tantos passam por meus dias e logo se tornam névoa, feito sonho que vai sendo esquecido entre o som do despertador e o primeiro pé que se finca no chão, a pisar o novo dia. Vão-se feito chuva. Ora miúda, das que mal deixam registro de passagem, ora tornados devastadores. Mesmo que nossos destinos trilhem a mesma cidade, o mesmo quarteirão, alguns nunca voltam. Outros retornam em algum ponto, mas é um erro. Há que saber deixar partir. Assim, muitos dos melhores se perdem para sempre.
Há ainda os que vão e voltam, em ondas, eternas ou não. Nos divertimos nos reencontros mas a distancia renovada não nos leva a tecer pensamentos e considerações além.
Outros ficam. Por perto, ou nem tanto, mas nunca nos deixam. É preciso saber quem não se pode deixar partir. Mares e terra ora árida ora fértil ora sobrepovoada, entre nós. Cotidianos díspares. Enfrentando diariamente desafios e engarrafamentos diferentes. Eventualmente o mesmo concerto em outros dias e latitudes. E, ainda assim, sempre causam suspiros fundos a cada sorriso que se desenhe em píxels imperfeitos. Um postal que chega fazendo sorrir a tarde sorumbática. Um ouvido emprestado pra contar do amor novo que, ainda aos tropeços, procura seu caminho em direção ao peito. Ou mesmo uma história boba para dormir, quando o mundo parece não querer se apagar.
Quando partir. Quando voltar. Quando ficar? Apenas escolha, e reze para acertar.

No comments:

Post a Comment

Faça meu dia