29 Sept 2011

A Brincadeira

(Livro de Milan Kundera)

[Diálogo ewntre Ludvik e Kostka]

- Você acha que as destruições podem ser belas?

- Sei que você é um pacífico operário da eterna obra divina e que ouvir falar em destruições lhe desagrada, mas o que posso fazer: quanto a mim, não sou um aprendiz de pedreiro de Deus. Além do mais, se os aprendizes de pedreiro de Deus construíssem aqui embaixo edifícios com paredes de verdade, haveria poucas chances de que nossas destruições pudessem abalá-las. Mas, ora, parece-me que, em vez de paredes, o que vejo em todo lugar são apenas cenários. E a destruição de cenários é uma coisa totalmente justa.

- O que você acaba de dizer soa bem, Ludvik. Mas diga-me: cético como é, de onde tira a segurança que faz com que você diferencie o cenário da parede? Nunca lhe aconteceu duvidar de que as ilusões das quais zomba sejam de fato apenas ilusões? E se você estivesse enganado? E se fossem VALORES, e você um destruidor de valores? [...] Um valor degradado e uma ilusão desmascarada têm ambos o mesmo corpo deplorável, se parecem, e nada mais fácil do que confundi-los.

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