29 Sept 2011

A Brincadeira III

"O manejo do pensamento feminino tem suas regras inflexíveis; aquele que resolve persuadir uma mulher, fazê-la mudar de ponto de vista utilizando a razão tem pouco chance de ser bem sucedido. É muito mais sábio retomar a imagem que ela quer projetar de si mesma (seus princípios, seus ideais, suas convicções), depois tentar estabelecer (com sofismas) uma relação harmoniosa entre a referida imagem e o comportamento que queremos que ela tenha. Por exemplo, Helena se consumia em sonhos de "simplicidade", de "natural", de "limpidez". Esses ideais provinham do antigo puritanismo revolucionário e aliavam-se à idéia do homem "puro", "sem mácula", moralmente firme e severo. Só que, como o mundo dos princípios de Helena não repousava sobre uma reflexão, mas (como é o caso da maioria das pessoas) sobre alguns imperativos, sem ligação lógica, não havia nada mais fácil do que associar a imagem de um "personagem límpido" com um comportamento inteiramente imoral, e assim impedir que a conduta desejada no caso de Helena (o adultério) entrasse em conflito traumático com seus ideais. O homem tem o direito de desejar qualquer coisa de uma mulher, mas, se não quiser se comportar como um bruto, deve fazer com que ela possa agir em harmonia com suas ilusões mais profundas."

No comments:

Post a Comment

Faça meu dia